terça-feira, 16 de maio de 2017

NO AZUL


Trocou a pressa pelas preces, a exigência frente ao espelho pelo bom senso com o que vê. Substituiu a insatisfação por novos propósitos e ao abandonar o sedentarismo, ganhou não apenas saudáveis números na balança, mas, principalmente, novas amizades. Tem aprendido a se doar sem excessos e passou a ter ainda mais certeza de que dedicar atenção a alguém, é o melhor presente. 

Continua com o coração mole, com aquela tradicional teimosia, com a intuição que protege, com a fé no amor de Deus, com a essência de menina,  a de alma cigana e a mania de fazer balanços de vida quando o aniversário vem chegando.

P.S.: Na melhor fase de todas as outras 30 primaveras.

quinta-feira, 23 de março de 2017

UM BRINDE AO PASSADO




Teve aquele que me ensinou a gostar de vídeo game, o que compôs música sobre mim, outro me levou pra conhecer o mar. Um deles me convenceu que mudar era bom, inclusive de cidades; e teve também quem me ajudou a ser uma mulher mais tolerante e carinhosa.

Os percalços, desajustes e as feridas resumiram-se em cicatrizes. As marcas não dóem mais, mas estão ali e gosto de pensar nelas como aprendizagem (algumas necessárias, outras nem tanto), porém, penso que ninguém evolua sem lições e, por isso, agradeço a cada uma delas.

Deve ter suas vantagens encontrar o amor derradeiro logo de cara, mas é impossível não enxergar a beleza que mora nas tentativas. Sem elas, quem eu seria? Talvez não veria tanta graça em viajar sozinha, também não gostaria de pescar e nem saberia como é ser madrasta. Ainda seria aquela caipirinha do interior, teria continuado sem músicas sertanejas no meu repertório, o currículo profissional seria menor e a bagagem pessoal seria bastante diferente, claro.

Não condeno quem não saiba ficar sozinho e também não julgo quem faz da vida uma eterna procura. Afinal de contas, viver também é aprender com erros e acertos, não é mesmo?
 
P.S.:  "Na calma tudo se ajeita, tudo se encontra, inclusive a gente."

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2017

AQUELA PAZ


O que é ter paz? É esquecer completamente o que passou? É trocar o ter pelo ser? É ir para a cama com as ideias em silêncio? É seguir as regras à risca? É concretizar sonhos e objetivos  ou isso seria conformismo? É ter amor-próprio e depender apenas de si? É atingir um equilíbrio? É estar com as contas em dia? É ter um amor? É fazer um filho adormecer? É ter apenas boas histórias pra colecionar? É um estado de espírito ou uma escolha de vida? É tudo isso ou nada disso?



Acho que paz é feito felicidade, tem duração periódica, independe de idade, necessita de cultivo e o significado varia de pessoa pra pessoa. Mas quem sabe?
A única certeza que tenho é que quando essa tal paz faz pousada dentro da gente, dá vontade de agarrá-la e não mais soltar. Dividiria essa sensação contigo, se pudesse. E você, está em paz?
P.S.: "Não quero competir com ninguém. Quero que todos nós consigamos."

quinta-feira, 9 de fevereiro de 2017

REFLEXO


Frente a frente com o espelho, entendi que o reflexo só sorri pra mim se eu sorrir pra ele.  Frente a frente com o espelho gosto do que vejo. Não se trata das curvas, nem do nítido bronzeado, mas do brilho nos olhos. Frente a frente com o espelho admiro as marcas de expressão, nascidas de noites em pranto ou de tímidos risos de canto de boca, de tardes de preocupações desnecessárias e também de gargalhadas inesquecíveis. Frente a frente com o espelho aceito as saudades, perdoo quem me machucou, agradeço pela oportunidade da vida e sonho alto, a ponto de sentir aquele tal frio na barriga.

P.S.: "Tudo na vida é emprestado, por isso não vale a pena viver apegado."

terça-feira, 30 de agosto de 2016

ÁLBUM DE MEMÓRIAS



É que coração é mesmo chucro de tudo. Com ele não tem essa de que tempo cura ou que o próximo faz esquecer o anterior. 

Não adianta explicar que todas as tentativas foram esgotadas e que o importante mesmo é gostar da própria companhia. 

Pode-se embriagar o cérebro, mas o coração é tolerante. Pode-se olhar para o novo, mas a memória no peito faz questão de bater em compasso acelerado quando o que a gente tenta deixar no passado se faz presente. 

Fica tudo registrado exatamente no átrio, até aquele simples escovar de dentes. 
Ah, coração, numa hora dessas você pira com tanta recordação.

P.S. : "Permita-se ser o que você quiser nessa vida, menos infeliz".

quarta-feira, 4 de novembro de 2015

SEGUE O SECO SEM SECAR


 Ele a esperava no portão. Estava de banho recém-tomado, sem camisa e com uma bermuda que ela ainda não conhecia. A novidade não estava só na bermuda, mas também no semblante. Como dizem os mais velhos, a gente pode mesmo viver com alguém por anos a fio e, mesmo assim, não a conheceremos por inteiro. 

Dessa vez ela notou também a barba (detalhe que sempre demorava a perceber), talvez porque lá no fundo sabia que não haveria outra oportunidade.
Apesar das faces cizudas, ela tinha o sentimento de gratidão e ele, a sensação de que havia esgotado as tentativas. Devolveram um ao outro alguns pertences e eles, que outrara falavam pelos cotovelos, tiveram o último e atípico diálogo:
- Obrigado, ele disse.
- Imagina, respondeu ela.

E foi assim o derradeiro contato de almas que se cruzaram com o simples propósito de amar.

P.S.: "Quem não sabe o que quer, perde o que tem."

quarta-feira, 28 de outubro de 2015

REDUZINDO A MARCHA


É véspera de feriado e tem festa mais tarde. Dez anos atrás estaria escolhendo qual roupa usar, planejando chegar tarde em casa e ouvindo alguma canção animada do Lenine. Mas hoje a casa cheira bolo e um molho de macarrão cheio de temperos apura no fogo enquanto espia a novela. 

Os planos? Voltar cedo pra casa e descansar o corpo num cobertor bem quentinho. Viva cada uma das fases e suas peculiaridades tão boas.

P.S.: "A vida é 10% do que acontece com você e 90% de como você reage a isso."

DONA



As unhas estavam coloridas com forte vermelho, um daqueles esmaltes cujo nome não faz sentido. Era noite de sexta-feira e, por isso, grande parte dos amigos estava na rua, mas ela resolveu se bastar com a companhia da gata de estimação e de uma rasa taça de vinho; hábito de gente que mora sozinha (julgava a moça).  

A quase balzaquiana era dona do próprio nariz, mas não das saudades.

P.S.: Procuro esquimó para relacionamento sério. Lavo, passo e cozinho. Favor tratar inbox!

terça-feira, 26 de maio de 2015

QUE O MEDO FIQUE NO ARMÁRIO




A noite que antecede o primeiro dia de aula no novo ano é sempre motivadora de um compêndio de sensações. A gente quer chegar com o uniforme impecável, se pergunta quem serão os colegas a conviver conosco diariamente. 

Em geral, o que se faz presente é o frio na barriga porque o que a gente desconhece gera medo. A cada mudança ou recomeço  é assim que nos sentimentos, receosos. É assim com mulher que espera pra dar luz ao primeiro filho, com o idoso que percebe que é a hora de se aposentar, com a família que troca de cidade, com o quarentão que opta pelo divórcio ou com a jovem que deixa a casa dos pais. 

E tanto medo pode parecer coisa de gente insegura, que lá no fundo, nunca foi capaz de arrancar as rodinhas de apoio da bicicleta. Mas vem a vida e nos mostra que não é questão de imaturidade. Minha avó, a mais velha entre doze irmãos, é uma guerreira. No alto dos seus 73 anos ainda cuida de roça, da casa no sítio e, principalmente, do turrão do meu avô. Toda essa experiência de vida não impediu que ela titubeasse quando teve de decidir se faria uma longa viagem para visitar um parente na capital. Eu tiraria de letra porque sou do mundo, mas para ela a novidade assustou, gerou receio e até custou algumas noites em claro. "Quem não sente medo que atire a receita do Cão Coragem". Aquele destemido cachorro dos desenhos animados. 

O medo do desconhecido deve ter suas explicações psicológicas, as quais ainda desconheço, mesmo depois de certa familiaridade com o divã. Mesmo baseada apenas em conhecimentos empíricos, penso que o problema não seja sentir medo, mas sim ser paralisado por ele ou usá-lo como muletas para não ousar, não evoluir, não se desafiar. Para aqueles que  acreditam na existência de outras vidas, não seria tão perigoso superar o medo e seguir, já que, se por esse motivo, você viver errando, vai ter novas chances de corrigir lá na frente. 

Para os que creem que só se vive uma vez , lembrem-se que a vida é curta demais para que sejamos derrotados pelo medo. Encarar o frio na barriga pode ser surpreendente e renovador. Talvez seja a atitude que falta para despertar um modo de vida que nos estimule novos propósitos para acordar todas as manhãs em busca dos nossos sonhos engavetados no armário do medo.

P.S.: "Cada um sabe o que passa e o que amarrota".

sexta-feira, 30 de janeiro de 2015

DE RECOMEÇO EM RECOMEÇO


Eu sei, às vezes dá uma vontade enorme de abrir os olhos e perceber que todas as expiações e provas são apenas parte de um pesadelo que durou uma noite. Mas não, não é assim. A gente tem de ser forte e suportar com garra e fé cada um dos dias que vem pela frente até que tudo se reencaixe. 

E de recomeço em recomeço a gente vai sendo moldado pela vida, mesmo sem querer ou perceber. É feito lagartixa que perde parte de si e depois de certo período se regenera, o membro antigo dá lugar a um novinho e, talvez, ainda melhor. O processo pode até ser dolorido, demorado; mas a oportunidade de se refazer é um benefício admirável dessa nossa vida.

P.S.: "Que o hoje seja hoje. Sem o peso de ontem ou a ansiedade pelo amanhã. Apenas hoje".

segunda-feira, 5 de janeiro de 2015

PAZ NÃO PESA


Como a gente avalia se um ano foi bom? É pelos bolos que não solaram, pelos sorrisos de agradecimento que não faltaram, pelo bem que fizemos àqueles com quem os nossos caminhos cruzaram? 

Seria pelo sucesso profissional, pelo controle emocional ou pela primeira viagem internacional?

Pode-se medir pelos quilos eliminados, pelo vício superado ou pelo imprevisto que foi bem controlado?


É pelo tanto de amigos, pelas sensações de frio na barriga ou pelas vezes que alguém comprou nossa briga?


Na sua balança eu não sei, mas na minha o que mais pesa é cada pedacinho de paz que conquistei.

Feliz 2015, pessoal!

P.S.: Seletividade nas batalhas.

quarta-feira, 3 de setembro de 2014

ENLATADOS


Se você é inteligente gera concorrência, se não é, faltou esforço, se é bonita atrai inveja, se não é, a rejeição aparece, se você tem grana é privilegiado, se não tem, é coitado, se você segue as regras é caxias, se não, é "porra louca", se está em relacionamento sério surgem as intrigas alheias, se segue sozinho é porque algum problema tem, se é evangélico é bitolado, se é adepto à umbanda é macumbeiro. São tantos rótulos que nos impedem de verdadeiramente descobrirmos uns aos outros. Posso ser a filha da Maria, a aluna do Zé, a amiga do João, a jornalista da Record; mas antes de qualquer uma dessas associações feitas eu sou os tombos que levei e os perrengues que venci...porque foi o conjunto das minhas condutas que me transformaram em quem sou hoje.

P.S. Sempre há quem não tenha coração e pra esses imagino que o mundo dê ainda mais voltas.

sábado, 9 de agosto de 2014

SERENA


E a vida é feito criança que adormece no braço da gente. Traz paz, nos faz sentir encantados ao admirar aquele momento. Por vezes ficamos imóveis na tentativa de que tudo continue na mais perfeita harmonia e inclusive nos recolhemos da agitação para que o barulho não atrapalhe. Até que a criança desperta e nos faz recomeçar todo o empenho para alcançar de novo mais alguns instantes de serenidade.
P.S.: "Quem disse que decisões certas não envolvem perdas doloridas?"

quarta-feira, 16 de julho de 2014

NOITADA



As noites são exímias estimuladoras de nostalgia. Saudade do mingau morno da minha avó depois do jantar, saudade de encapar meus cadernos com papel bonito, saudade de colocar barquinhos de papel na chuva acumulada nas sarjetas da rua. 

Tem tanta saudade morando na gente, sustentando nossa história. Cultivo cada uma delas com carinho e gratidão.

P.S.: Ele chegou e virou tudo de pernas pro ar!rs

quinta-feira, 3 de julho de 2014

THE END, ZEFINÍ, FIM


Parece mesmo fase da lua. "Nunca na história deste país" vimos tantos relacionamentos amorosos chegando ao fim numa mesma época. E tenho ouvido isso lá em casa, no vizinho, no amigo, no amigo do amigo...

E é nessa hora que a gente consegue observar que cada um tem jeito diferente de reagir. Eu, por exemplo, fico triste e levo um tempo para deixar de passar por aquela fase do "tudo lembra ele". Penso que se a relação foi importante fica o desafio de retomar a rotina com a ausência (mesmo que consentida) do outro. 
 
Há quem prefira embarcar num relacionamento rebote. Respeito, mas prefiro o luto temporário e a readaptação. Acredito que se engatamos um novo envolvimento amoroso logo em seguida, não só o coração, mas também a cabeça ficam confusos. 

Certa vez li em algum lugar por aí que os sentimentos (que são diferentes das emoções) não são genéricos e que se aplicam a uma pessoa de cada vez. Cada detalhe é único e não dá pra substituir o João pelo Zé a curto prazo. Isso porque você e o outro tem peculiaridades, manias, um jeitinho específico e, por isso, no fim das contas, acabam surgindo comparações e corre-se o risco de machucar ao outro e a si. O que era para servir de consolo acaba virando um adiamento da perda. Ainda não vi histórias assim darem certo, mas vai que cola, não é?

Tem ainda quem prefira fugir da fossa caindo na curtição. Penso que até dê para ocupar a mente, se divertir, mas de forma efêmera. E depois que os amigos ou o paquera vão embora? E quando a música silencia? E na hora de passar em frente ao lugar que era o preferido do casal? Como ficam as lembranças?

Na verdade mesmo, apesar das peculiaridades, acho que o que todo mundo procura é curar o passado e ganhar uma nova chance de começar do zero. E, pra mim, é só o que vale: a capacidade de recomeçar.

P.S.: "Velhos caminhos não abrirão novas portas."

quarta-feira, 2 de julho de 2014

HORA DE APRENDER


De tanto guardar as próprias aflições dentro do bolso na tentativa de ter energia para contribuir na solução dos problemas alheios, a gente acaba ficando sem bolso, sem energia e com o dobro de problemas. 

Talvez essa seja a lição da vez. Tenho assimilado que vivenciar e superar por mérito próprio todas as etapas do processo de aprendizagem são fundamentais para quem passa pela escola da vida. Nesse momento, não posso achar que consigo poupar, proteger ou resolver tudo em nome do outro.

Entendi que o ato mais bonito que posso ter ao lado de alguém é aceitar minha incapacidade diante dos percalços alheios e demonstrar minha enorme utilidade em dar apoio até que tudo esteja resolvido.

Viver é aprender.

P.S.: Cabelo novo, peso novo, vida nova. Que seja feita a vontade de Deus e não a minha.

terça-feira, 1 de julho de 2014

DE OLHOS FECHADOS


Se eu fechar os olhos quero conseguir me calar sempre que o meu senso de justiça falar mais alto e ser simpática só com quem realmente merecer. Se eu fechar os olhos quero me ver brincando de fazer desenhos abstratos com a priminha que alegra meus dias mais nublados. 

Se eu fechar os olhos quero sentir o sabor de amoras colhidas no pé. Se eu fechar os olhos quero me imaginar na praia, não muito perto a ponto de sentir a água do mar tocar em meu corpo e nem tão longe que não possa sentir a brisa embaraçando meu cabelo. 

Se eu fechar os olhos quero pensar que posso pegar minha moto neste exato momento e sair só pra sentir o vento, sem rumo,  mas com vontade de voltar. Se eu fechar os olhos quero uma roda de amigos verdadeiros tomando vinho e dando muita risada espontânea ao som de Chico (ah, o Chico e sua coletânea que sempre me faz viajante). 

Se eu fechar os olhos quero lembrar-me apenas que nunca vai faltar motivo para a vida valer a pena.

P.S.: "Não importa o que fizeram com você. O que importa é o que você faz com aquilo que fizeram com você". - Jean Paul Sartre

segunda-feira, 30 de junho de 2014

AMPARO




Nos desertos para onde somos levados (nos dias que as dores causam aflição, a ansiedade nos rouba a sabedoria e a sensação de injustiça fala mais alto) sempre nos ENCONTRAMOS COM DEUS. Se ali OUVIRMOS A ELE seremos conduzidos para a CURA e não iremos precisar voltar ao mesmo deserto de dificuldades e provações. Isso porque teremos APRENDIDO que por mais que algo venha a nos abater, estaremos sempre AMPARADOS. (O mundo está cada vez pior, mas Deus é o mesmo).

P.S.: "Tinha dia que não era de sorrir, mas eu sorria só pra não dar chance à tristeza, só por teimosia."

quarta-feira, 25 de junho de 2014

SEMPRE JUNTOS




Se algo ou alguma situação não lhe faz bem, nem lhe traz aprendizado, ou um sorriso na alma, por qual motivo mantê-lo? Temos o maior bem e o melhor amigo que precisamos: Jesus.
Nunca estaremos sós. É Ele quem nos acalenta durante as noites que o choro vem e é Ele que não nos abandona, até mesmo quando não mereceríamos compaixão.
Que saibamos colocar para fora dos nossos caminhos quem acrescenta problemas aos nossos dias e desânimo aos nossos ombros dispostos a prosseguir na missão.
Obrigada pelo recado, Paizinho.

P.S.:  "É possível ter paz em meio a uma tempestade? Sim. Somente quando confiamos em Deus e deixamos de tentar resolver as coisas da nossa maneira."

segunda-feira, 23 de junho de 2014

UM DIA DE CADA VEZ


Deus sabe. Ele sabe o quanto eu quis que aquele escorpiano tipicamente teimoso tivesse me ouvido. Deus sabe que eu morria de ciúmes quando via minha gatinha de estimação correr para a porta quando ele chegava. 

Deus sabe que os churrascos não eram simples refeições, mas sim desculpas para renovar as energias entre a família por meio de uma das coisas que ele mais gostava de fazer (devia, na verdade, ser gaúcho). 

Na maioria das vezes não importava o lugar e muito menos as pessoas. Bastava uma máquina fotográfica e uma beira de rio para ganharmos o dia.

Deus sabe que nunca comi um bolinho de arroz tão gostoso nessa vida. Ele certamente sabe o quanto me fazia bem ter aquele ombro à disposição. Sabe, funcionava feito sonífero (daqueles em dose cavalar).

Deus sabe que a nossa bagagem cresceu e muito depois que nos encontramos, mas muitas coisas nessa vida a gente aceita sem entender.

Deus sabe o quanto eu me derretia quando ele me mandava foto da fronha de gatinho e confessava que a casa ficava vazia sem mim. Eu brincava com os passarinhos, dançava pela casa, reclamava daquele short amarelo que ele teimava usar e ele, por sua vez, sempre dizia que daria para fazer uma peruca com os meus cabelos longos que caíam no chão.

Na maioria das vezes não nos desgrudávamos para nada porque era como se ficasse um buraco no coração. E tinha os elogios às nossas fotografias juntinhos, era unânime a opinião de que combinávamos feito casal de novela.

Mas como ele mesmo diz: talvez não fosse para ser nessa vida e, numa hora qualquer, nos reencontremos para terminar nossa história do jeito que ela merece.

P.S.: "Mas nada vai conseguir mudar o que ficou..."